Novo Projecto!

Novo Projecto!

Olá,

Caros leitores, o projecto agora voltou para os videos… nos próximos tempos serão videoblogs ao invés dos artigos escritos. Já tinha algumas saudades da vertente de video, algo que gosto bastante. Então neste momento estou de novo a viajar de bike, fazendo videos para o youtube com algum conteúdo. De momento tenho já três episódios, os quais seguirão abaixo…

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O Tempo

O Tempo

O fim está próximo!

Depois de uma tarde muito bem passada estava na hora de continuar a subir a serra, que apesar de ainda ser um nível bem difícil, fazia conta de chegar ao topo pelo por do sol, e depois seria sempre a descer até casa. Seria, portanto, o final. Pensava eu!

Despedi-me então dos meus camaradas vigilantes e comecei a pedalar. Na verdade, empurrando cada vez mais tal era a inclinação. A paisagem era tão assustadoramente catastrófica, como bela. Montanhas completamente despidas pela destruição do fogo recente. Contudo, a vista era igualmente bela pela perceção daquela nudez absoluta… claro, que preferia ver aquele corpo vestido com um belo casaco verde, mas dadas as circunstancias estava a ser uma experiência em tanto. Tento sempre ver o lado positivo apesar tudo, mas nada apagava aquele cenário de… sei lá… até parecia que estava no médio oriente depois da largada de umas bombas inimigas. Enfim, parece que destruição no fundo nem se distingue, apenas varre tudo.

Juntando a essa tristeza de absoluta felicidade pela experiência de “o” estar a viver, estava um vento incrivelmente capaz de me mandar encosta abaixo… até metia medo! Sim, tenho algumas vertigens e ele empurrava-me de uma maneira que tinha de me encostar ao lado contrário do precipício, no entanto lá ia dando umas espreitadelas e tirando umas fotos dentro daquela adrenalina. Finalmente chegava ao cume com o por do sol, e o vento era frio, pois agora já deixava de subir. Vesti toda a roupa que tinha, o que foi muito prático, além de ficar quente, ficava tecnicamente mais leve, ou melhor… a bicicleta sim, eu ficava mais pesado. Mas na prática sentia-me muito mais leve e logo a seguir estaria em casa. Começo então a descer até que encontro uma aldeia, onde paro num chafariz e pergunto informações sobre o caminho para a Freita. A qual uma jovem me diz que ainda falta muito e aparentemente iria descer e teria de subir de novo. Fiquei estupefacto por tal afirmação… como é que isto é tão grande assim?! – perguntava-me a mim mesmo. Ou seja, basicamente teria de fazer uns 40 kms com subidas e descidas, e a verdade é que já era de noite. Já estava completamente destruído pela anterior escalada. No entanto não desistia! Criei a ilusão de que conseguiria e comecei a fazer corta mato por caminhos que iria em direção aquilo que eu pensava, e não por onde me tinha recomendando, até que começo a descer, descer, descer e à medida que cada vez mais descia, mais sabia que teria de subir outra vez… e então chega a frustração que na realidade nada era mais do que era real.

Chego então a mais uma aldeia, e sem saber o que fazer… pois pensava eu que essa noite já estaria em casa. Mas já não dava mais, então parei em frente a uma capela de pedra no centro da aldeia, recorrendo apenas ao necessário e naquele momento precisava de comer e descansar… ponderando ainda continuar, mas era impensável, é que além de ser tarde estava mesmo KO, então lá jantei estilo peregrino na entrada da igreja, onde algumas pessoas passavam admiradas. Perguntei a uma vizinha se poderia passar a noite junto à igreja, que depois de me ter dito que o sino parava de tocar às 22h (esse era outro motivo para não ficar, pois era muito irritante) e que me daria a password do wi-fi se quisesse, como se de uma cama se tratasse. Claro que agradeci mas recusei pelo que iria mesmo dormir. E dormi como uma pedra na pedra junto a túmulos ancestrais.

No outro dia, comprei pão quentinho numa padaria que descobri pelo nariz e segui caminho subindo, subindo, subindo… até que por fim estava na Serra da Freita e agora era sempre a descer até Vale de Cambra. Agora sim o fim estava próximo… ou melhor o novo início! Mas seria o fim desta aventura de ida e volta à Serra da Estrela. E…mais uma vez percebia que nada mais importa no que foi, ou no que será apenas aproveitar o grande presente que é o tempo que dispomos.

Tempo é valioso!

Mas temos tanto como as outras pessoas?

E Deus?

Talvez tenha. Têm?

(não)

O escritor escreve o livro. O compositor escreve a música. O maestro escreve a sinfonia. Isto pode ser o melhor exemplo porque as melhores foram escritas a Deus.

Então o que acontece quando Beethoven está a escrever a 9ª Sinfonia e de repente acorda um dia e percebe que Deus não existe. De repente, todas as notas, acordes e harmonias que tinham a intenção de transcender a carne e perceber que “são parte física” Beethoven diz: “Caramba, Deus não existe, acho que o que escrevo para outras pessoas são agora apenas porcas e parafusos”.

Ele não teve filhos, não que eu saiba, teve? Acho que teve um sobrinho. Ou quem quer que tenha sido. Não interessa, tiremos o amor da equação e desenrolemos isto, sob pensamento: “é assim que se vão lembrar de mim?”

E eles lembraram. E nós lembramos. E, de certeza, fazemos o possível para perdurar. Construímos o nosso legado e talvez o mundo se lembre ou talvez apenas algumas pessoas, mas fazemos o possível para continuarmos depois de partirmos. Então ainda lemos esse livro, ainda cantamos essa música, os putos lembram-se dos pais, dos avós e todos têm a sua árvore genealógica, Beethoven tem a sua sinfonia, nós também e todos continuarão a ouvir no futuro próximo. Mas, é aí que as coisas começam a desenrolar. Porque os vossos filhos, os nossos filhos todos vão morrer. Todos morrerão e os filhos deles também e assim por diante. Até que então haverá uma grande mudança tectónica. Haverá erupções, placas mudarão, os oceanos subirão, as montanhas cairão e 90% da humanidade desaparecerá. Uma queda precipitada. É apenas ciência. Quem restar vai… para as partes altas e a ordem social acabará e regrediremos a caçadores, necrófagos e colectores, mas talvez sobreviva alguém… alguém que um dia cantarole uma melodia que costumava ouvir. E isso dará a todos um pouco de esperança. A humanidade chega à beira do fim, mas consegue continuar porque alguém ouve o outro alguém a cantarolar uma melodia numa caverna e a física disso no ouvido deles faz sentir algo além de medo, de fome ou ódio e a Humanidade prossegue e a civilização regressa. E agora estamos a pensar que terminamos o livro. Mas não vai durar.

Porque, aos poucos, o planeta vai morrer. Em alguns mil milhões de anos o Sol torna-se-á gigante e eventualmente engolirá a Terra. Isto é um facto! Talvez até lá tenhamos estabelecido noutro planeta bom para nós. Talvez descubramos uma maneira de carregar connosco tudo o que interessa. Alguém consegue uma cópia de Mona Lisa, alguém vê e mistura poeira alienígena com cuspo, pinta algo novo e as coisas prosseguem.

Mas nem isso importará. Mesmo que de alguma forma de Humanidade carregue uma gravação da 9ª Sinfonia de Beethoven até ao futuro, o futuro atingirá uma parede. O universo continuará a expandir e eventualmente levará toda a matéria com ele. Tudo pelo o que lutamos, tudo o que nós, tudo o que eu, tu que lês ou algum estranho do outro lado do planeta partilharmos com outro estranho doutro planeta diferente, sem saber, tudo o que nos fez sentir grande ou poderoso… tudo acabará.

Qualquer átomo nesta dimensão… será destruído por uma força simples como… “caos” e todas essas partículas retalhadas contrairão novamente e o Universo vai juntar-se numa mancha pequena demais para repararmos.

Então, podemos escrever um livro… mas as páginas arderão. Podemos cantar uma canção e passar à frente. Podemos escrever uma peça à espera que alguém se lembre e continue a apresentar. Podemos construir a nossa casa dos sonhos… mas no fim nada importará mais do que enfiar a mão na terra para colocar uma estaca… ou… ou fazer sexo. Acho que seria quase a mesma coisa.

Então… ponhamos agora amor na equação!

Serra Destruida Serra Destruida1
Serra Destruida3 Serra Destruida4
Aldeia Tumulos ancestrais
Aldeia1 Freita
Freita1 Freita2

“Um Sonho Presente”

“Um Sonho Presente”

Começo a pensar que um banho bem relaxante é meditação para mim. (risos) Porquê? Passo a explicar… Quando chegamos àqueles momentos em que parece que ficamos tipo num limbo, esquecidos e perdidos: sem motivação, sem criatividade, sem inspiração, preocupados com o futuro, algo que nos assombra do passado, etc… são apenas exemplos. O pior disso tudo, é que não nos apercebemos disso, ou melhor, percebemos mas não tentamos perceber para resolver o problema, e o mais provável é que acabamos a nos distrair com a “palha”, o dito entretenimento fácil dos novos tempos: ver tv, novelas/tv series, jogos, youtube, redes sociais… Não estou a dizer que tudo isso é mau, mas quando o usamos como forma de escape sobre consciências mal resolvidas, o tal “limbo”, acontece!! Que é o que acontece comigo, por vezes, não vou negar… especialmente quando me acomodo a rotinas confortáveis mas que não deixam de ser monotonias e então dou por mim desconectado com o presente, a existência, a espiritualidade… o tempo apenas passa e os sonhos acontecem apenas enquanto dormimos, se não forem pesadelos!! Então meio que fico à espera de alguma coisa… tipo sinais divinos, cósmicos… sinais que me façam conectar… e eles estão sempre aparecer, acreditem!! Estamos é distraídos com a dita “palha” e não percebemos. Então, já cheio de palha, cheguei aquele momento de limbo, perdido, sem rumo… e… felizmente apanhei um resfriado, uma bela gripe! (risos) Felizmente? Sim. Não, eu não gosto de gripes! Claro, que não!! Mas foi, uma forma sem psico-activos para chegar a estados de consciência profundos. Mas que raio… uma gripe? Sim é estupido!! (risos) A verdade é que é nesses momentos, seja gripe ou não, que nos preocupamos com o presente. Assim sendo no processo de cura… sem qualquer farmáco, fiz questão de testar o meu corpo, pois é importante para apurar as defesas para futuras eventualidades do género, recorrendo apenas a produtos naturais: chás, mel, ervas, flores, citrinos, boas sopas; além disso, escaldei eucalipto na banheira para respirar o vapor. É muito bom para desentupir os canais respiratórios. Depois disso, relaxava na banheira. No 4º dia de processo de cura, enquanto começava a encher a banheira com agua a escaldar sobre o eucalipto, reparo num pequeno aranhão onde instintivamente arrasto o bicho para fora. Não para matar!! Foi um instinto para salvar!! Não, não estou a dizer que não os mato, até os mato facilmente. Mas ali, instintivamente agi para salvar. Não sei porque! Não interessa, isso passou… tomei o meu banho relaxante onde dei por mim num processo meditativo. Comecei acelerar a respiração, quase uma respiração holotrópica e foi o suficiente para chegar onde queria. Comecei a ter dormência em algumas partes do corpo como é natural quando se acelera a respiração. A respiração holotrópica segue esse princípio e nada mais é do que uma técnica respiratória que aumenta a quantidade de oxigênio no cérebro. Melhor que a gripe para chegar a uma psique profunda!! (risos) Quando saí do banho já me sentia novo como se acabasse de acordar para o presente. Então reparei, que para além da situação da aranha já tinha tido enumeras referencias (sinais) nos dias anteriores onde elas me apareciam em momentos muitos propícios, basicamente o universo já me andava a contactar e eu feito tosto ignorava. “Mas agora não, agora tenho de investigar!!” – pensei. – E fui logo a seguir ao banho tentar descobrir o significado disso. Vocês já sabem? Já sabiam? Eu não… e foi tipo: Ok, agora percebo!! Obrigado!!

Passo a citar o que li…

Sempre que algo aparece repetidamente em sua vida, você deve tomar isso como um sinal do universo de que precisa aprender algumas lições importantes ou crescer em determinadas áreas. Animais guia como aranhas atuam como mensageiros de mensagens vitais do além, mostrando-nos onde podemos melhorar e o que podemos aprender. Ver aranhas repetidas vezes significa que você precisa aprender a ter paciência e manter melhor contacto com a sua energia criativa, ou significa que você começou a dominar essas habilidades e qualidades…” 

E…

“As aranhas são mestres da percepção, então querem que você olhe para a vida através de lentes diferentes para que possa resolver os problemas de forma adequada. Esta bela criatura quer que você teça sua própria teia na vida, e crie a sua própria história com base nas experiências que teve e as diferentes perspectivas que ganhou…”

Ou…

A aranha carrega uma série de significados, dentre os quais simboliza a sabedoria, a beleza, a diligência, a sorte, o cosmos, a divindade, a infinidade, entre outros…”

Claro que isto vale o que vale… apenas foi uma curiosidade engraçada por ter descoberto basicamente aquilo pelo o qual já sentia antes de ler isto. (risos) Isto, para dizer que os sinais aparecem de várias formas, várias crenças, não interessa… o importante é tentar perceber o porque deles. Pois se assim for, estamos conectados e bem presentes! Comigo funciona assim, portanto deixo o conselho ao leitor.

Consequência deste aparte, motivei me para continuar esta aventura de escrever a “verdadeira” ou a real aventura…

S.Pedro

Pronto para sair de S. Pedro do Sul, comecei então a subir a ultima etapa, pensava eu. Ia então seguindo as indicações que me levava para a cimo da Serra da Freita, quer dizer os sinais só diziam serra e como a Serra da Freita nem aparece no mapa é porque não é assim tão grande, e será canja de galinha tendo em conta que já subi a Lousã, o Gerês, até mesmo a Estrela. Deste modo, já tinha pedalado um bom bocado desde de S. Pedro, e sem grande problema até lavei louça e enchi as reservas de agua nas várias bicas de agua que surgiam na borda da estrada. Ia num bom ritmo. Mas o pior estava para vir… pois o que já tinha subido nem contava como serra, a serra mesmo começava a surgir e bem nua. Na verdade, totalmente chamuscada. Os fogos desse verão varreram tudo por completo. Assim sendo a minha ultima etapa em termos de cores não iria ser tão diferente do primeiro dia em que comecei quando subi o Caramulo, mas infelizmente é o mundo em que vivemos. Juntado a essa magnifica vista, estava um calor abrasador pois já era quase meio dia e eu feito tolo, inocente ou crente, vá lá, começava finalmente a subir. Não sei bem qual era a minha ideia, visto que o mais provável era não encontrar nenhuma arvore viva, claro. Mas lá ia, já no extremo a empurrar a Eva e cada vez mais inclinado. Quando finalmente começava a me aperceber da dimensão do que estava a fazer e que tinha de parar para almoçar e descansar numa sombra possível, eis que começo a reparar a uns metros mais acima uma casa de floresta abandonada com algumas arvores verdes à volta. Ali será, seja lá o que for. Quase a chegar reparei que tinha uma construção nas arvores perto da casa… ora aquilo parece uma casa na arvore. – pensei – Altamente tenho de ir lá ver!! E pelo o que parece, está abandonada. Já perto reparo que era mesmo uma casa na arvore, mas ouvi vozes vindas de lá, contudo fui lá dar uma olhada. Subo então um carreiro e vejo que era um posto de sapadores que estavam de vigia aos fogos, ou melhor, ao que sobrava para arder. Tive logo grande recepção. O líder, bastante social não se calava. Contou-me que tinham construído tudo aquilo durante o período que lá estava destacados. Eram três sapadores com alguma experiência militar, especialmente o líder, os outros, não eram mais do que simples bombeiros com alguma experiência de sobrevivência. E então era isso, estavam ali há mais de 3 meses em que para passarem o tempo fizeram uma torre de vigia apenas com recursos do mato ou reciclagem de material, a única coisa que compraram foi pregos. No momento em que cheguei estavam a fazer uma churrascada e fui convidado, claro. O líder entusiasmado, fez toda a questão de almoçarmos na torre já depois de me ter feito uma visita guiada por toda a infraestrutura. Incrível!! Foram mesmo até quase ao pico das arvores, até metia vertigem, mas o facto é que estava bem seguro. Além disso tudo, ainda decoravam com pequenas obras de arte, até tinham um santuário com a nossa Senhora. Depois de um original e único almoço, fumamos umas ganzas, jogamos às cartas, fizeram truques de magia, juntamente com interessantes histórias. Sim, eles passavam bem o tempo lá!! (risos) Tirando os fogos a coisa era quase férias. Já pedrado, fui dormir uma boa sesta numa cama rede que eles improvisaram no alto da torre, com uma vista incrível. Por momentos, reparei que estava a viver um sonho, aqueles que temos em crianças, mas que não passam disso. Contudo, ali estava eu a baloiçar numa cabana na arvore.

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“O Caminho para a Esperança”

“O Caminho para a Esperança”

Certo dia, quando saia do banho pensei… ou melhor, interroguei me!! Como será o próximo testamento? Sim… porque é possível, certo? Ou não tamos a chegar a tal momento como nessas escrituras antigas? Sim, é legitimo! Portanto, pensemos: Como será?? … Será Novo Novo? Próximo? É que há o Antigo e o Novo. Como passará a ser?? “O” Testamento? É que sendo Novo, o anterior já terá de mudar de referencia. Mas como passará a ser? O “Testamento do Meio”? Não!! Isso soa como uma disciplina. Talvez.. o melhor seja: “1º Testamento”, 2º Testamento e assim o novo já possa ser o “Novo Testamento” ou apenas o 3º Testamento e por aí fora… não interessa, são apenas pensamentos à acontecer, as editoras depois tratam disso. A grande questão é: O “mundo” acreditaria? ? ?

Seguindo o padrão de acontecimentos dos anteriores, em ambos Deus enviou alguém ou apenas deu a mensagem com a missão de salvar o mundo do mal.

No primeiro testamento o “peregrino” realmente conseguiu levar os fieis até a terra da esperança, mas ninguém acreditou nele, a não ser os escravos. Pois, valha a verdade que mais hipótese teriam eles?! Portanto, tudo o que fosse rumo a liberdade era a única esperança para eles. Já os “livres” ou os “não escravos” não acreditariam.  Como é natural. “Vida boa e tal… e vêm agora aqui este dizer que Deus mandou uma mensagem, e que ainda há salvação e num sei que!”, pensariam eles. Claro, que não acreditariam e não acreditaram.

Já no 2º (Novo Testamento) O mesmo cliché… mas com mais drama à mistura, como não podia ser de outra forma sendo uma sequela… Então com um q/b de sacrifício, a história foi a mesma. Neste caso o filho de Deus, com a missão da salvação. E adivinhem lá… ninguém acreditou nele e torturaram-no finalizando o acto com crucificação. Claro!! Quem iria acreditar?! Então, só quando “morreu” é que acreditaram. Pois, claro. Parece que as anteriores escrituras não serviram de nada. Então, mais sacrifico e caos. Seria necessário tal sacrifício? Pois se calhar não. Mas de outra forma também não acreditariam. Então, apesar das tormentas aconteceu a salvação. Aconteceu? Ou ainda vai acontecer? Pois não sei.

Dito isto, a questão da grande questão é: No próximo testamento, alguém irá acreditar? Virá algum messias? Quem será? Alguém vai acreditar em alguém que dirá que é “Jesus”? É que nos anteriores testamentos também ninguém acreditou até realmente acontecer o caos. Será esse caos mesmo necessário? Será que vamos rescrever a mesma história? Ou vamos mudar? E realmente vivermos felizes para sempre?! É que para isso no próximo testamento será preciso muitos messias… porque só um já vimos que não resulta. Portanto, vamos lá escrever um novo caminho…

Voando pela Estrela abaixo, rapidamente cheguei a Gouveia, onde parei apenas para umas fotos, informações e logo continuei… “indo eu, indo eu a caminho de Viseu encontrei…” Ups… aí Jesus que lá vou eu! E assim, passando por Mangualde, cheguei a Viseu. Calma!! Parece que foi rápido, e de certa forma o foi, visto que cheguei lá ainda antes do final do dia. Mas foi dos piores percursos que já fiz em todas as minhas viagens de bicicleta. 50 km de transito, poluição, lixo…  cada vez mais gradual à medida que chegava ao distrito. Sim, foi um belo de um sacrifico. Mas lá cheguei à terra de Viriato (dizem eles).

O que faço sempre quando chego ao destino? Procuro por agua, claro. Então, na Praça da Republica, exactamente no Jardim Tomás Ribeiro, encontrei os Bebedouros onde obtive as visões para o próximo ano. (Risos) Após, algum descanso decidi fazer um pouco de turismo pela parte histórica. Onde acabou por ser bastante interessante, pois assisti a uma missa ao ar livre. Uau!! Que inovação! Que malta tão liberal!! (Risos) Gostei bastante… principalmente pelo timing exacto de eu ter chegado à missa, após muito sacrifício. Deus continua sempre no meu caminho, não percebo!! (Risos) O Pai gosta mesmo de mim! Mesmo sendo um rebelde que não segue qualquer obediência.

Após rezas, orações e meditações continuei a sessão de turismo, com mais algumas fotos e videos para então continuar a viagem. Tendo em conta que não pretendia pernoitar na cidade e já era quase noite segui em direcção a São Pedro do Sul, sendo praticamente sempre a descer rapidamente fiz mais 23 Km, e claro cheguei a São Pedro do Sul. Rapidamente… mas já era noite e estava bastante fresco. Quer dizer, frio mesmo! Especialmente estando a descer com o vento a bater de frente sem fazer qualquer esforço a não ser travar e juntando a isso estava cheio de fome.

O problema é que tinha de acampar, pois já estava no limite. Mas como me encontrava numa urbanização e se seguisse caminho seria a subir portanto era para esquecer continuar. Então mesmo na entrada da cidade/vila surgiu uma espécie de área de serviço para pessoas como eu. (Risos) Era apenas um recanto com um miradouro, relva e algumas mesas. Um parque de merendas, pronto! (Risos) A verdade, é que era um sitio que dava um pouco nas vistas. (Bué!!! Já vão perceber na foto) “Mas que se lixe!! Vai ser mesmo aqui!! Seja como for, estou protegido, visto que estou nas portas de S. Pedro!” (Risos)

Então, fiz o jantar, aproveitei a bela vista noturna daquele miradouro, montei a tenda, reflecti o dia e fui dormir. 

Gouveia
Gouveia
Viseu
Viseu (praça)
Viseu1
Viseu (praça)
Viseu2
Missa Ar Livre
Viseu4
Sé de Viseu
Viseu5
Igreja Viseu
S.Pedro
Esconderijo S.Pedro 🙂
Miradouro S.Pedro
Miradouro S.Pedro

“A Balança da Vida II”

“A Balança da Vida II”

Tipicamente, uma pessoa criada numa das sociedades industriais ocidentais tem uma cosmovisão pragmática e materialista, ou pelo menos muito profundamente influenciada pela exposição dessa mesma cosmovisão. De acordo com neurociência ocidental, a consciência é um epifenómeno da matéria, um produto dos processos fisiológicos no cérebro, e portanto criticamente dependente do corpo. Desta perspectiva, não pode haver qualquer dúvida de que a morte do corpo, em particular do cérebro, é o fim absoluto de qualquer forma de actividade consciente. Quando aceitamos a premissa básica acerca da importância da matéria, esta conclusão é lógica, óbvia e inquestionável. A crença nalguma forma de consciência após a morte, na viagem póstuma da alma ou na reencarnação parece ingénua e ridícula. É desconsiderada enquanto produto de desejos irrealistas de pessoas que são incapazes de aceitar o óbvio imperativo biológico da morte. Em contrapartida, descreve num texto importante (Livro dos Mortos Tibetano) que a altura da morte é uma oportunidade única para libertação espiritual dos ciclos de morte e renascimento ou, caso não alcancemos a libertação, um período que determina a natureza da nossa próxima encarnação. Neste contexto, é possível encarar os estados intermédios entre vidas como sendo de certa forma mais importantes do que a existência encarnada. É pois essencial prepararmos-nos para esta altura através de prática espiritual sistemática durante a nossa vida.

Pois bem, com base desta argumentação descobri nessas práticas que há um equilíbrio. Uma balança que comanda a coisa! E neste caso entre a vida e a morte há uma passagem! A existência! O agora!

E o agora… é que tinha conseguido superar toda essa experiência de quase morte. Não, não vi a morte. Não! Nem mesmo no escuro! (risos) E também não morri! Mas toda a experiência assustadora que foi, pouco faltou! Pensava eu na altura pela agonia que sentia! Mas toda a superação e o facto de o próprio local que encontrei de forma totalmente aleatório ser acolhedor, com as necessidades básicas para poder ultrapassar tal situação, foi divino! Até tinha telefone fixo, reparei mais tarde. E que aproveitei para ligar a minha mãe para dizer que estava tudo bem. Na verdade não estava, mas que adiantava dizer a verdade.

No outro dia já me sentia ligeiramente melhor, ainda fraco, mas não vomitava. O corpo já estava a absorver os alimentos. Então, decidi não passar lá mais uma noite. Não o queria! Queria renovação! Ficar mais uma noite à espera de eventualmente ficar melhor era uma solução eficaz e tentadora, mas a atmosfera do local já não me motivava a tal. – Tenho de continuar, e logo encontrarei algo melhor e novo! – pensei. E assim segui de novo caminho com direcção a Gouveia.

Foi realmente exausto cada passo ou pedalada que dava. Mal surgia uma subida, simplesmente deixava de pedalar, continuava apenas a empurrar a Eva. Nunca tinha-me sentido tão fraco. Sentia-me um esquelético, sem energia nenhuma! Estava a ser realmente um bom teste para quem ambiciona aventuras muito mais longas. Apesar da dificuldade e já no topo da montanha, decidi seguir umas setas que indicavam outro parque de campismo, sempre na direcção de Gouveia, claro. Já a descer, e quase noite nunca mais aparecia o tal parque de campismo. Então, já farto de insistir, meti-me pelo um caminho de terra que surgiu. Andei uns metros e reparei que fui ter às traseiras do tal parque de campismo. ahahaha… nem de propósito!

Nesse mesmo espaço, ainda que fora, tinha umas mesas e algumas torneiras com água. – Ora! Vou ficar mesmo por aqui. Nem preciso de ir para o parque, pois tenho tudo que preciso aqui. – Pensei. Mas claro, que tinha de ir explorar… missão era? Encontrar alguma tomada eléctrica disponível. A verdade, é que não via ninguém, nem campistas, nem seja lá quem fosse. Contudo, estavam as luzes todas ligadas. – Estranho!! Mais um parque às moscas!! Mas que raio!! É setembro, ok, mas ainda não estamos assim tão fora de época. – Fui então à entrada principal, mas não estava ninguém. Nem carros lá se encontravam. Estava então confirmado que estava completamente sozinho, mais uma vez num parque de campismo todo para mim. Desta vez não estava abandonado de todo. Simplesmente, não estava lá ninguém de momento pelo o motivo de não haver campistas presumo, mas estava funcional. Que maravilha!! Pus então os dispositivos a carregar, e explorei mais um pouco. Fui espreitar os balneários. Nem sabia, se iria aos dos homens, ou das mulheres! (risos) Estavam completamente abertos, e com luz acesa. Como é natural, instintivamente liguei os chuveiros. E num é que tinham agua quente!? Pronto, foi uma festa!! Se tivesse uma champanhe, abria naquele momento tal era a minha alegria, por tal achado. Incrível! Divinal!! Adoro Viver!! Nem sei como expressar!! Sim, claro… é só um duche. O mais fascinante destas aventuras é que realmente conseguimos apreciar cada coisa, cada momento, como se fosse a primeira vez. É simplesmente incrível! Obrigado!

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Depois de ter estado no dia anterior quase a encontrar-me com Anubis (riso), estava ali eu a tomar duche de agua quentinha e a uivar!! Claro, que a festa foi curta! (riso) visto que apesar de espirito estar no auge, de corpo estava KO. E portanto, montei a tenda fora do parque, não fosse chegar alguém, entretanto jantei e logo adormeci. Para finalizar, no outro dia, decidi ficar por lá a manhã, para uma melhor recuperação e acabar de carregar a bateria na tomada. Mas eis, que finalmente chega alguém responsável do parque. Eu como ainda tinha lá a bateria, fui ter com ele com o pretexto de poder carregar o telemóvel, que na verdade era para ir buscar o que já lá tinha. (risos)

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Estrela.Campismo

“A Balança da Vida”

“A Balança da Vida”

Depois de esculpir em silêncio todos sonhos de não poder falar, seguia-se então a celebração… a festa, pois claro!! Saí do Ritual em direcção a São Gião, Oliveira do Hospital, onde iria ser a paragem por alguns dias. Mais concretamente o Insomnia Festival. E que bela insónia que foi. No caminho ainda parei num sitio, já outrora passado. Era um parque infantil, onde parei para comer algo. Até que surgiu um casal com os seus filhos. No seguimento disso, e devido ao bonito momento em que via as crianças brincando no baloiço do equilibro, como que uma balança, que ora desce, ora sobe, decidi capturar o momento… até que o Pai se manifesta: – Não!! Não quero que tire fotos aos meus filhos!!  – Sim, mas eu já tirei, e agora? – disse com um tom irónico. Ah, mas não quero que tire!! – continuou. Enfim, nisto gerou-se ali uma discussão sem sentido, referindo que era perigoso para os filhos serem expostos, alegadamente porque era imigrante. A verdade é que nem sei se havia de rir ou de chorar. Pois dava argumentos dos mais ridículos de que já vi. Até porque, seja como for, a objectiva das fotos era bastante distante, nem dava para ver as caras das crianças. Enfim. O típico, Pai protector, que na verdade por esta altura já deve ter comprado uns smartphones para os filhos. Adiante… rapidamente cheguei a Oliveira do Hospital, onde parei para fazer umas ultimas compras antes de chegar ao recinto. Quando lá chego, reencontro então uns amigos com caravana, onde montei a tenda mesmo ao lado. Nisto, o Alex diz: -Anda aqui espreitar!! Entro então na caravana e vejo cerca de 200 latas de cerveja. Pronto, disto isto, não preciso de me adiantar muito mais… foi uma valente festa.

parque infantil nostalgico
Parque Infantil
Insomnia
Insomnia Festival
insomnia 4
Insomnia Festival
Insomnia 2
Insomnia Festival
Insomina 3
Alex, o Grande! 🙂

No final do festival, a viagem continuava… seguia-se a Serra da Estrela. Mas iria ter uma boleiazinha de um amigo que estava de férias e que depois continuava para sul, concretamente o Algarve. Mas decidiu encontra-se comigo para fazer campismo selvagem, tendo em conta que ficava a caminho. Assim que ele chegou, lá fomos até um espaço de lazer relaxar um pouco, e depois fomos pela serra acima com umas vistas deslumbrantes. Chegamos então à Torre, e fizemos mais pouco de turismo: fotos, conversas e blá blá blá… até que a noite surgia e o objectivo era acampar, mas que na verdade foi das tarefas mais complicadas que já tive… pois ele, é basicamente uma criança que não sabe o que fazer. E sendo assim, a minha vontade de espirito cada vez baixava mais. Mas lá depois de jantarmos uns snacks com um vinho que ainda tinha, continuamos à procura de um spot bacano e tranquilo. Lá andamos, andamos, ele continuava sempre distraído com o mundo dele, falando de coisas sem interesse nenhum, e lá íamos perdidos sem encontrar nada. Eu ainda ia dizendo, que quando menos esperássemos haveríamos de encontrar alguma coisa, não podíamos era desistir. Até que acabamos por encontrar um sitio em última instância, razoável, junto a uma casa antiga e com luz, mas totalmente deserta. Já para lá da meia noite montamos a tenda… explorei um pouco a zona e reparei que estava perto de um parque qualquer, mas não se via nada… estava bastante escuro para lá de onde tinha a luz. Pensei que seria um parque, já que mesmo ao lado estava um pequeno edifico em pedra que era um bar, literalmente abandonado, mas com as janelas abertas. Ele estava com um pouco de receio, mas decidimos entrar e explorar o que lá havia dentro, como aquelas aventuras de miúdos. Lá dentro estava cheio de tralha ainda, louças, mobílias, lixo… e até tinha o fogão a funcionar. Ora que luxo!! Isto ainda vai dar jeito, pensei. Depois de tudo isso continuamos com mais conversas. Desta vez mais interessantes, pois já se olhava para o céu e a natureza crua em nossa volta. E quando isso acontece inicialmente o nosso Ser começa a conectar se com as raizes. Durante isso começou para mim, o que para muitos talvez seja mais fácil encontrar em retiros de Ayahuasca. Verem a morte.

Torre
Torre, Serra da Estrela
serra da estrela
Serra da Estrela

Nada que tenha haver uma coisa com outra, claro, apenas uma alusão, mas durante a noite comecei a ter diarreia e vómitos. E no outro dia continuou, mas sem parar. Tipo, nunca tal coisa minha tinha acontecido. Só podia ser uma intoxicação alimentar. De quê? Não sei!! A verdade, é que estava a desfalecer, cada vez mais fraco e sempre que comia alguma coisa, punha tudo fora. Aliás eu purgei por completo, já perdia a conta das vezes que expelia fezes, que eram totalmente liquidas, parecia que estava sempre a urinar pelo anus, e os vómitos eram verdes. Estava a começar a ficar mesmo assustado, pois mal conseguia andar com o calor e pela falta de energia que sentia. Com isto tudo, o meu amigo não sabia o que fazer. Não em relação a mim, mas porque queria ir se embora, visto que tinha uma reserva num hotel no Algarve. Por momentos, ainda disse para ir ao hospital mas estávamos na gema da serra, algures perto de Manteigas, longe de hospitais. Então, lá fomos à vila e comprei uma coca cola. Sim, apenas para dar mais alguma energia e limpar ainda mais, que foi o que aconteceu. Voltamos a mesmo sitio, pois já lá tinha deixado a bicicleta dentro do tal bar, que realmente ficava junto a um parque de campismo, totalmente abandonado, inacreditável.

Casa que me acolheu
Parque Abandonado

Após alguma discussão decidi ficar lá e descansar, pois mal me conseguia deslocar para ir à casa de banho. O meu “amigo” lá foi a vida dele, o Algarve esperava-o. Enfim, lá fiquei então sozinho e abandonado. Quase no final do dia já tinha conseguido descansar um pouco, mas as dores intestinais continuavam. Ainda me sentia super fraco e estava sem energia nenhuma, apesar disso, já não vomitava. Então decidi, tentar lavar as partes baixas, pois sentia-me todo emundo. Lá me arrastei até as casas de banho, onde ainda tinha duches a funcionar. Porreiro! Pena que a agua estivesse gelada. Mas lá me orientei, e acabei por tomar um duche. 1ª missão cumprida! Segue-se agora tentar comer alguma coisa para começar a restabelecer a energia perdida e por a maquina a funcionar. Como tinha arroz… decidi que era a melhor opção para o corpo começar a aceitar de novo comida. E foi o que aconteceu. Ok, 2ª missão cumprida! Agora estou pronto para uma boa noite de descanso.

(continua)

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Balneários Abandonados
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No mesmo Parque
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Serra da Estrela

“Um Peregrino por Momentos”

“Um Peregrino por Momentos”

Esta é uma história que não segue a ultima já postada “O Ritual”, mas sim uma pequena aventura que tive recentemente que consiste basicamente derivado de um excelente negócio que aproveitei numa compra de uma nova bicicleta, a minha futura companheira. Ainda sem nome, decidi começar logo de imediato ao partir de Lisboa até Tomar.

Então, todo começou no dia 14 de Janeiro, num sábado de manhã em que parto desde Montes, uma quinta de agricultura biológica junto a extensa albufeira do Zêzere, de carro até Tomar onde apanho o comboio das 8h até Lisboa, mais concretamente estação do oriente. Quase em cima da hora lá segui numa viagem de duas horas de grande tédio, pois além da grande seca que foi, não era muito confortável e o ar condicionado deu-me uma grande dor de cabeça após ter chegado a Lisboa, devido talvez a diferença de temperatura. Sem grandes demoras o negocio foi feito e logo de seguida parti em direcção a Tomar junto ao Tejo. Entretanto ainda parei para tomar um lanchezinho no parque das nações.

Parque das Nações
Parque das Nações

Mercardo Bio Parque das Nações
Mercado Bio no Parque das Nações

Pedalar não estava a ser muito difícil, o problema era o frio, que ora me fazia vestir roupa, ora pouco mais a frente já transpirava bastante, e pois claro, não convinha estar a tirar muito roupa, pois era o suficiente para uma boa gripe. Mas a coisa ia indo sem grande vontade devido as dores de cabeça e já com a ideia de desistir, pois tinha sempre a opção de apanhar o comboio de volta. Contudo, parei em Vila Franca de Xira para descansar. Num parque urbano lá comi a merenda que já levava, pus as roupas que tinha junto ao corpo a secar, meti-me dentro do saco cama e tentei dormir uma boa sesta ao Sol, para ver se a dor de cabeça passava. Mas não, quando já estava quase a pegar o sono, um cão decidiu por o seu som em cena. Então, lá segui eu de novo.

Os Aviões
Os Aviões

Momentaneamente, apeteceu-me uma pastilha elástica, pois isso por vezes resolve-me o problema das dores de cabeça. Então, mais a frente parei num café e comprei uma por 10 cêntimos. De uma coisa insignificante passou a ser algo que viria a despertar o bichinho de viajar. Então, já a mascar e com a música a bombar sigo eu… até que… olho para o chão e reparo numa moeda. Parei, como é óbvio!! Estacionei, caminhei um pouco para trás e vejo que era uma moeda de 10 cêntimos. Ok, parece que a pastilha já está paga. 🙂 Continuei a olhar mais em volta a ver se vi mais alguma… mas não. Resultado disso, parou um carro mais a frente, e dirigiu se um homem na minha direcção. Perguntou se era português e se estava a ir para Santiago de Compostela. Pois, ele como me viu ali, pensou que eu estava perdido a procura de algum trilho do Caminho, visto que o trilho era por ali perto. – Não! Estou a ir para essas direcções mas não para Santiago. – disse. Desejou-me boa sorte ainda assim e foi a sua vida. E eu também.

O Caminho
Caminho de Santiago

Ela e o barco
Parque de Lazer perto de Golegã

Sem grandes coisas a relatar, devido a constante urbanização que passava, rapidamente cheguei a Cartaxo onde parei para me hidratar e onde fiquei no paleio um pouco com um taxista. Logo a seguir me fiz de novo ao caminho, já com o Sol a dizer boa noite e sem nenhum plano em vista de onde ia pernoitar. Em direcção a Santarém ia pensando e olhando por onde eu pudesse pernoitar. Mas nada surgia, e já de noite cheguei a Santarém. Ainda ponderei apanhar o comboio desde Santarém, mas não. Estava numa de selvagem apesar do frio. Um pouco de turismo na cidade nocturno e sigo eu em direção a Golegã. Já com quase 90 km nas pernas, a coisa já começava a ficar um pouco extrema. Até que numa zona um pouco mais deserta, vi uns sobreiros a salpicarem terrenos sem fim, e como logo surgiu uma entrada, decidi explorar. Lá encontrei o melhor spot junto a um dos sobreiros onde rapidamente montei a tenda, fiz uma fogueira, camuflei um pouco o spot, já que estava perto da estrada e logo seguida preparei o jantar. Nodless com atum, pois claro. Antes do amanhecer acordei com frio. Reacendi o fogo, onde entretanto fiz um Timelapse e tomei o pequeno almoço. Logo a seguir, e já farto de ouvir tiros dos caçadores que por ali andavam, segui caminho, precisamente no caminho de Santiago até Golegã, onde estacionei num memorial de Saramago, em Azinhaga, sua terra natal. Sempre lançado chego bastante estafado a Entroncamento onde parei para comer alguma coisa e tirar uma sesta, visto que já era umas duas da tarde. De novo na estrada, sigo em direcção a Tomar, meta final. Então, enquanto já quase que avistava Tomar ao longe, surge uma placa que informava 9km até Tomar. Fixe, está quase e agora é sempre a descer ou plano. Vou chegar num instante. – pensei. Mas… logo que passo a placa. Pufffs…. furou o pneu. Ok, estava a ser bom demais. Então, lá preparei a mudança, pois a nova bike é super prática, não como a minha antiga. Mas quando tiro a câmara de ar, reparo que não é um furo. Rebentou mesmo junto a válvula. Ora foda-se!! É que eu só tinha remendos, não tinha nenhuma suplente. Ok, vamos lá peregrinar um pouco. Pois, isto de andar por caminhos de Santiago com bicicletas Ferraris, não é a mesma coisa. Então lá tive eu de fazer o meu sacrifício de ir a lá Pata até Tomar. Sim, porque agora, que até dava jeito, ninguém parou, me deu boleia ou me ajudou. Mas não têm mal… Até fiquei contente por ter acontecido já perto do destino. E pronto, já sem comida… apanhei algumas laranjas que via nas bordas da estrada, para dar mais energia até que cheguei sem ajuda a Tomar. Eu referi “sem ajuda”, porque quando cheguei, e tentava por a bicicleta no carro lá veio uma boa alminha perguntar se precisava de ajuda. Claro, que eu me desenrascava… e o pior já estava, mas sim agradeci, e ele lá me ajudou a encaixar o avião dentro do carro.

Entrando em Santarém
Entrada Sul Santarém

Santarém
Santarém

Fogo pela manhã
Fogo pela Manhã

Camuflagem2
Camuflagem

Camuflagem
Camuflagem

Bela mansão em Golegã
Bonita Mansão em Golegã

Eu e o Saramago2
Eu e o Sr. Saramago

Boom
Pois… nada a dizer!!

Curiosidade: Em cerca de 2000 quilómetros por Portugal nunca fiquei a pé com a minha pasteleira antiga (tirando opção de a empurrar nas subidas), e logo ao 2º dia duma primeira viagem que fiz com uma bike profissional fiquei a pé. O que é bastante irónico!!